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TRABALHO

Metalúrgica paulista bate meta da Lei de Cotas por 13 anos !

A Cinpal – Companhia Industrial de Peças para Automóveis, localizada em Taboão da Serra/SP, é a maior fabricante nacional de autopeças. Ela detém um recorde: depois de 16 anos de estabelecimento de um programa específico para contratação e manutenção de funcionários com deficiência, há mais de 13 consegue ultrapassar o número exigido pela Lei de Cotas, que estabelece uma porcentagem equivalente ao número total de contratados.
Hoje trabalham na empresa 94 funcionários com deficiências auditivas, físicas, visuais e intelectuais, que atuam na Produção, Ferramentaria, Controle de Qualidade, Almoxarifado, Expedição de Produtos, Manutenção e Administração. Antes mesmo do programa ser sistematizado, a Cinpal tinha experiência nessas contratações: o funcionário de número 4 da empresa era surdo e ficou por lá 40 anos, até falecer. Também tiveram um chefe de Controle de Qualidade cego que trabalhou por 35 anos na empresa. Com o advento da Lei de Cotas, essas experiências e iniciativas, até então aleatórias e informais, serviram de base no hoje denominado “Programa de Inclusão de Deficientes”. O início do projeto foi em 02/01/2001, tendo sido preparado durante todo o ano anterior. “Na ocasião, ainda estava indefinido, confuso seria a palavra mais adequada, qual seria o Ministério responsável pela fiscalização da referida Lei. Em função disso, firmamos um acordo com o Ministério Público do Trabalho e nos comprometemos em adequar a empresa num prazo de 5 anos”, lembra José Mileski da Cruz, gerente de Recursos Humanos. Ele conta que, no início, a fiscalização era feita pelo Ministério da Previdência, passando depois ao Ministério do Trabalho, mas nenhum dos dois deram informações claras ou suporte. Tentaram também várias entidades, mas a ajuda foi pouca. Desse modo, criaram o próprio programa, partindo do zero, estabelecendo as premissas básicas que os norteiam até hoje.
Desse modo, consideram que a pessoa com deficiência não é incapaz, apenas possui limitações para o exercício de uma tarefa ou atividade. Um exemplo clássico, que o gerente gosta de citar, é o do surdo. A audição é fundamental para um profissional que afina instrumentos musicais, mas é totalmente dispensável para quem trabalha com níveis de ruídos elevados como, por exemplo, uma forjaria.
Também não fazem mudanças nos locais de trabalho, apenas pequenas adaptações para não criar ambientes discriminatórios. São todos considerados empregados comuns: garantido o direito de acesso, não devem ter nenhum tipo específico de benefício ou direitos diferentes dos outros funcionários. São cobrados, premiados ou punidos como qualquer um e as atividades desenvolvidas não podem comprometer a produtividade e a qualidade dos produtos ou serviços. Quando o programa começou, um engenheiro especialista em ergonomia orientou na identificação dos possíveis postos de trabalho que poderiam ser ocupados e foi feito um trabalho de conscientização das chefias e colegas de trabalho por meio de palestras e oferecimento de cursos de Libras. Deu tão certo que, em janeiro de 2013, dois anos antes do acordo estabelecido com o Ministério Público do Trabalho, a meta foi atingida.
Mileski conta que, além de dificuldade por serem pioneiros e não terem ajuda, enfrentaram também o grau de escolaridade e a formação profissional dos pretendentes, que era baixa, o que os fez montarem programas específicos de treinamento. As próprias pessoas tinham medo de perder o benefício que recebiam da Previdência se arrumassem um emprego. Isso foi revolvido mais recentemente com a mudança da lei que permite agora a volta do benefício no caso de perderem o emprego.
“Atribuímos este sucesso ao comprometimento de todos: diretoria, gerência, chefia e funcionários, que desde o início se engajaram no projeto, não como um modismo passageiro, mas como uma atitude de uma empresa cidadã, que nunca se valeu ou utilizou as dificuldades encontradas como desculpa para o não cumprimento da Lei de Cotas”, explica o gerente. Ele diz que a empresa sempre foi muito resistente na divulgação de seus programas, pois acredita que estas atitudes deveriam ser encaradas naturalmente e não como uma exceção à regra ou um ponto fora da curva.
“Eventualmente divulgamos com o objetivo de servir de exemplo e de motivar outras empresas a adotarem a mesma postura”, garante Mileski. “O maior fator limitador para a inserção no mercado de trabalho não é a eventual deficiência apresentada, mas sim o preconceito presente na maioria das pessoas”, conclui.

“No começo a gente fica meio pensando a dificuldade que vai ter para arrumar um outro emprego, de uma pessoa aceitar a gente para um trabalho novamente, mas como Deus abriu a mão eu consegui este emprego melhor do que eu queria”. Rogério da Silva – Almoxarifado Geral






“Desde quando entrei na Cinpal, tenho apoio de todos os colegas. Eles me ensinaram o serviço e até fizeram adaptações para que eu não tivesse dificuldade de acesso ao local de trabalho”. Renildo Alcântara da Silva – Programação e Controle de Produção







“Nunca sofri preconceito. Eu sou uma pessoa que sempre ajuda os outros. Todo mundo me adora e eu me dou bem com todo mundo. Dizem que eu sou o animador no trabalho, estou sempre feliz”. Gideão da Silva Lima - Ferramentaria



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