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Você está: Edições / Edição nº 111

EDUCAÇÃO

Uma escola com vocação inclusiva !

Recentemente, em junho passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) precisou julgar uma ação direta de inconstitucionalidade apresentada pela CONFENEN - Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, que era contrária à determinação da Lei Brasileira de Inclusão no item que determina às escolas privadas o recebimento de matrículas de alunos com deficiência no ensino regular e promova as adaptações necessárias, sem repassar custos extras às famílias. O pleito da CONFENEN foi rejeitado pelos ministros, mas revela uma das facetas das dificuldades que as famílias encontram na hora de procurar uma escola para seus filhos com deficiência.
Um exemplo de inclusão escolar é o trabalho do Colégio Pauliceia, na zona sul da capital paulista, que atende desde a Educação Infantil (a partir de 2 anos) até o Ensino Médio. O colégio possui hoje 550 alunos, sendo 20 % deles com algum tipo de deficiência ou dificuldade de aprendizado, a metade com Transtornos do Espectro Autista (TEA). O colégio foi fundado em 1960, por Juracy da Silva Trunci, mãe da atual diretora, Carmen Lydia da Silva Trunci de Marco. Desde aquela época, sempre foi aberto a todas as crianças, atendendo alunos que necessitavam de algum tipo de atenção especial. O trabalho sistêmico de inclusão começou em 1978, quando Carmen Lydia, que é pedagoga e psicóloga escolar e clínica, assumiu a direção.

“O Pauliceia é uma escola regular, que acolhe a diversidade, na qual cabe a deficiência”, explica a diretora. “O estudo constante e o bom trabalho fez com que fossemos reconhecidos como referência nacional nessa área e, ao longo do tempo, o número de alunos atendidos foi se ampliando”, conta a diretora.

Para Carmen Lydia, a inclusão é uma filosofia de vida.

Ela considera que crianças e jovens sem deficiência se beneficiam muito com ambientes que valorizam e respeitam a diversidade, preparando-as para o mundo real. “A trajetória exigiu muita persistência e coragem”, ela lembra. “Houve um tempo que nossa escola era discriminada por atender alunos com deficiência, mas quando as famílias perceberam os ganhos reais e o bom desenvolvimento de seus filhos, tanto no aspecto pedagógico como na formação de valores, passou a existir uma parceria maravilhosa que a todos beneficia”, garante.
Sempre que necessário, todas as famílias recebem apoio e suporte. A equipe é composta por educadores, psicólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais e profissionais que se identificam com os valores da escola. Os professores recebem um treinamento contínuo.
Sobre o número expressivo de alunos com TEA, a diretora afirma que a escola não atende a patologia, mas foca na possibilidade de desenvolvimento de cada um. Em 2002, Carmen Lydia foi procurada por Margarida Hoffman Windholz, uma profissional considerada referência no tratamento de pessoas com problemas de desenvolvimento, incluindo o autismo. A proposta era trazer para a escola uma metodologia considerada padrão de tratamento no exterior, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A diretora já tinha um vínculo anterior com a especialista e muita confiança no trabalho dela. Esse foi o início do trabalho mais direcionado à área, o que acabou transformando a escola numa referência nesse tipo de atendimento. “No entanto, não cabe à escola diagnosticar e sim, conhecendo as características do aluno, pensar estratégias que o façam aprender melhor. Esse é o nosso papel”, garante Camen Lydia. Ela considera que a inclusão tem que ser boa para todos, sempre uma via de mão dupla. Cabe à escola encaminhar cada aluno a dar o seu melhor. “É um grande desafio, mas torna-se extremamente gratificante. Observamos que todos ganham construindo um mundo melhor”, ela afirma.
Aos pais que buscam uma escola para matricular seus filhos ela recomenta que haja transparência e clareza, tanto da parte da família, quanto da escola. A partir desse princípio, haverá um diálogo que poderá trazer frutos positivos para todos. “Família e escola devem estar sempre do mesmo lado, lutando pelos mesmos objetivos e tornando melhor a vida de seus filhos e alunos”, garante a diretora.
Para ela, com objetivos claros, metodologia comprovada e parceria com a família, as escolas podem evoluir nos processos de inclusão. “É urgente que esse processo se efetive. Persistência e comprometimento tornarão nossas escolas cada vez melhores”, ela acredita.

Os números da educação

Em debate na Câmara Federal, em 14 de julho, o diretor de estatísticas educacionais do INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, Carlos Eduardo Moreno Sampaio, afirmou que existem no Brasil atualmente 108.695 escolas que atendem cerca de 930 mil alunos com deficiência. Sendo que, 81 % desses alunos estudam em instituições públicas e 19 % em privadas.
A maior parte desses alunos (69 %) possui deficiência intelectual e, aproximadamente 15 %, deficiência física. Quando inspecionadas, 65 % dessas escolas não possuíam instalações adequadas para atender pessoas com deficiência, e apenas 24 % utilizam o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Apenas 43 % dos alunos com cegueira se beneficiam do AEE. Ainda segundo o INEP, 453 mil alunos com deficiência iniciam o ensino fundamental, porém apenas 8.545 ingressam no ensino médio.



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