INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA,
MOBILIDADE REDUZIDA, FAMILIARES E PROFISSIONAIS DO SETOR


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Escalar montanhas e fazer trilhas pode ser para todos !

Como fazer turismo de aventura em uma cadeira de rodas ? O que parecia impossível começou a ser realidade através da criação do engenheiro Guilherme Simões Cordeiro.

Guilherme desenvolveu uma cadeira adaptada para essa finalidade – a Julietti – e criou o projeto “Montanha para Todos”, em homenagem à sua mulher, Juliana Tozzi.

Os dois sempre foram apaixonados pela vida ao ar livre: “Íamos todo fim de semana e feriados, funcionava como uma válvula de escape para o stress diário pois eu trabalhava o dia todo e ainda dava aulas à noite. Fazer trilhas, subir montanhas e acampar era o que eu mais gostava pois adorava um desafio diferente”, conta Juliana.

A história começou a mudar quando ela engravidou do primeiro filho e foi diagnosticada com Degeneração Cerebelar Paraneoplásica, uma síndrome neurológica extremamente rara que, no caso da Juliana, surgiu por conta do reaparecimento de um câncer de mama. Benjamin nasceu em 2015, mas Juliana já não podia mais fazer o que tanto gostava.

“No começo fiquei bem triste, estava grávida e não conseguíamos descobrir exatamente o que eu tinha, foi um período tão conturbado que acabei nem curtindo a gravidez. Ficar com os movimentos comprometidos, parar de andar, escrever e realizar atividades que eram rotineiras em meu dia a dia foi bem difícil”, ela lembra. “Mas com o nascimento do nosso filho me apeguei a ele e ao esporte para me adaptar à nova realidade e voltar a sorrir como antes”.

O papel de Guilherme foi decisivo: ele se empenhou para encontrar uma forma de fazer com ela voltasse a participar dos passeios e viagens que tanto gostava. Primeiro tentou pesquisar alguma coisa já existente e até achou na Europa, mas não era o pensava e o custo saía mais caro do que o valor do carro deles. “Minha formação de engenheiro me ajudou e por ter percorrido várias trilhas também já tinha em mente os terrenos e obstáculos que teria que vencer. Mas o que realmente fez com que a “Julietti” saísse do papel foi minha determinação em querer proporcionar à minha esposa que ela retornasse para a montanha e ter encontrado um amigo que me ajudou a construir”, conta.

A primeira demorou seis meses para ficar pronta por conta dos inúmeros tratamentos que ela enfrentava e pelo fato dele trabalhar e só poder desenvolver a ideia durante algumas noites. Somando tudo, foram cerca de 10 dias corridos. A estreia foi em um dia especial: 12 de junho de 2016, Dia dos Namorados, no Parque Nacional do Itatiaia, Rio de Janeiro. “Entreguei a Julietti à meia noite e meia do dia 11 e às 5h da manhã estávamos no carro indo para o parque. No primeiro teste conseguimos chegar até à base do maciço das Prateleiras, o que foi um grande marco em nossas vidas”, lembra Guilherme.

O projeto “Montanha para Todos” nasceu nesse mesmo dia quando, ao pararem em um bar que frequentavam, foram incentivados pelos amigos. Guilherme criou uma página no Facebook e colocou uma foto. As visualizações foram imediatas e a ideia é criar uma ONG onde querem buscar inclusão não só nos esportes de montanha, mas em projetos para outras atividades outdoor e esportes radicais. Já estão ministrando palestras e preparando outras novidades que serão divulgadas em breve.

Até agora já foram construídas 11 “Juliettis” que estão espalhadas por Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso. A relação completa e o caminho para usar o equipamento estão no site. Elas ficam aos cuidados de associações ou entidades.

“Temos uma meta de chegar a mais de mil cadeiras, por isso começamos a numeração da primeira cadeira com três zeros na frente do número 1 (0001). É uma meta bem audaciosa mas temos certeza que o Bem vai se encarregar de dar continuidade”, anuncia Guilherme. “Todo mundo quando vê a Julietti em funcionamento quer ajudar de alguma forma, é uma verdadeira criadora de amigos e de sorrisos”, ele garante. Quanto à obtenção de patrocínio e campanhas para arrecadar recursos e espalhar mais cadeiras ele considera que não é tão fácil como gostaria. “Por ser um projeto tão recente temos bastante confiança que os apoios e patrocínios só tendem a crescer no futuro”, considera.

No momento, estão trabalhando para cadastrar um banco de voluntários, o que pode ser feito pelo site, e buscando parceiro para desenvolver um aplicativo para que quando o cadeirante for viajar ele possa acessar para saber onde tem a “Julietti”, reservando data e disparando e-mails para os voluntários da região que poderão ajudar no passeio. “Acreditamos que o Montanha para Todos não vai ser apenas um entregador de cadeiras, mas sim um fazedor de amigos e criador de experiências para todos os envolvidos na atividade, onde a deficiência será apenas mais um detalhe, como a cor de roupa”, afirma Guilherme.

Planos não faltam ao casal. Em janeiro de 2018 pretendem começar uma viagem de volta ao mundo, antigo projeto adiado por causa da doença de Juliana. A ideia é deixar uma “Julietti” em cada estado brasileiro e nos países que passarem. Querem viajar por cinco anos: 12 meses pelo Brasil, 12 na América do Sul, Central e do Norte (do Ushuaia até o Alaska), 12 na Europa, 12 na África e 12 na Ásia. “Sabemos que não será fácil, pois ainda não temos patrocínio para fabricar essas quase 100 cadeiras, mas da mesma forma que tudo na nossa vida vai se encaixando, acreditamos que é só questão de tempo e as pessoas vão aparecer”, acredita Guilherme.

 

E como está Juliana, a inspiradora do projeto ?

“Me sinto mais adaptada à nova realidade, mas junto com meu marido buscamos diariamente melhorar minha qualidade de vida para que eu retorne a fazer as coisas sozinha e estamos sempre em busca de tratamentos ou estudos relacionados à minha deficiência. Pensei que nunca mais poderia voltar a fazer o que eu gostava, mas meu marido e a ‘Julietti’ me proporcionaram o retorno ao esporte. Agora, junto com nosso filho Benjamin e o nosso projeto, iremos mais longe, levando essa ideia para que mais pessoas possam ingressar no esporte e isso me motiva cada dia mais”, finaliza.

O projeto também pode ser acompanhado em facebook e Instagram e no Youtube Montanha para Todos.

 

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